quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mata Adentro! - O Desafio do Discipulado

Um filme que me impressionou bastante foi o filme “Instinto”, em que o ator Anthony Hopkins vive o papel de um antropólogo preso em um manicômio, pois foi capturado no meio da selva, vivendo como um selvagem entre os gorilas. Este professor havia decidido estudar o comportamento desses animais de uma forma jamais realizada antes, se embrenhando na mata e observando-os de perto. O filme descreve de maneira empolgante o processo de aproximação entre o professor e o grupo de gorilas. Inicialmente, vence o medo de criaturas tão diferentes e imprevisíveis, e passa a enxergá-las e admira-las na sua espantosa singularidade. Aos poucos, se sente mais a vontade, abrindo mão de seus equipamentos e acessórios da civilização que não o ajudavam a se aproximar de seus novos amigos, mas que somente serviam para intimida-los.
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    Um filme que me impressionou bastante foi o filme “Instinto”, em que o ator Anthony Hopkins vive o papel de um antropólogo preso em um manicômio.
O antropólogo aprendeu que para conhecê-los com profundidade deveria esvaziar-se de sua postura de dominador. Ele teve que deixar o acampamento, seu lugar de segurança e mudar-se para seu novo habitat, a selva. E quando conseguiu entender essa necessidade de desprendimento e de entrega, ele foi aceito pelo grupo de gorilas e passou a fazer parte do bando.
Esta história nos lembra a de um outro professor a quem devemos imitar: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.” Este processo pelo qual Jesus passou movido pela sua compaixão por nós, chama-se “encarnação” : “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós”.
Para nos alcançar num extraordinário ato de amor, Jesus desceu de seu trono, despiu-se de seu manto real, pôs de lado sua coroa e veio habitar em nosso selva, tornando-se um de nós. Foi assim que passamos a ouvir a Deus em nossa língua, vimos o seu rosto com a nossa cara, tocamos sua majestade em nossa pele, sentimos o aroma da vida em seu cheiro de gente. E então, pudemos finalmente entender as boas notícias do evangelho: Deus está entre nós, e “Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.”
Quando Jesus nos desafia como seus discípulos a pregar o evangelho ao mundo, Ele o faz como o modelo a ser seguido: “Assim como tu me enviaste ao mundo, ó Pai, também eu envio meus discípulos ao mundo.” Nosso modelo de missão será sempre o Senhor Jesus encarnado.
A encarnação é o modelo para o discipulado cristão. Um discipulado que antes de ensinar , exortar, guiar; é um discipulado que se identifica, se solidariza e dignifica aquele a quem se ama e a quem se deseja resgatar.
Nossa missão, como a de Jesus, começa pela compaixão e nos impele a uma viagem. Esta é uma expedição em direção ao distante, ao perdido e ao “selvagem”. É ir em direção àqueles chamados de “estranhos as alianças e sem Deus no mundo ” .
Será que como Igreja, estamos dispostos a cruzar fronteiras em nome do evangelho? Estamos dispostos a deixar nossa zona de conforto e sair em busca da “ovelha perdida”? Abriremos mão de estar perto de nossos iguais para encarnar nossa missão junto aos distantes?
Que possamos ouvir do Senhor o que Paulo também ouviu: “Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma”.
Vamos em frente, Igreja de Cristo! Mata adentro! Esta é a nossa missão!
Pastor da Igreja Presbiteriana de Arujá, professor da FLAM – Faculdade Latino–Americana de Teologia Integral e diretor do Acampamento Jovens da Verdade. Casado com a Raquel e pai da Rebeca e do Gabriel.

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